Sob comando de Felipão, Renato ganhou cachê de 15 mil dólares, chegou atrasado e deu show


Fonte: ESPN

Sob comando de Felipão, Renato ganhou cachê de 15 mil dólares, chegou atrasado e deu show
RODRIGO GAZZANEL / RM SPORTS IMAGES/Gazeta Press
Adversários nesta quarta-feira (25) pelas quartas de final da Copa do Brasil, Luis Felipe Scolari e Renato Gaúcho já estiveram do mesmo lado por uma única vez.



Em 4 de julho de 1995, na extinta Copa dos Campeões Mundiais, competição organizada pelo SBT, Felipão treinava um timaço do Grêmio, que havia perdido a final da Copa do Brasil em casa para o Corinthians. A equipe tricolor foi reforçada por ninguém menos do que Renato, maior ídolo da história do clube gaúcho e herói do título mundial de 1983.


Para atrair mais público, os organizadores do torneio permitiram aos clubes trazer nomes importantes. Por um cachê de 15 mil dólares (R$ 13,8 mil à época), o astro saiu do Fluminense para jogar pela última vez pelo Grêmio no estádio Mané Garrincha, em Brasília. O adversário foi justamente o Flamengo.


Renato, que estava com 32 anos, tinha acabado de fazer o famoso gol de barriga que deu o título do Campeonato Carioca ao Flu em cima do clube da Gávea, que era comandado por Vanderlei Luxemburgo e tinha o poderoso trio de ataque com Sávio, Romário e Edmundo. Ele estava disposto a confirmar a recente fama de carrasco rubro-negro.


Com um clima festivo e uma bela ressaca pós-título, Renato chegou atrasado ao hotel onde a equipe gaúcha se concentrava para a partida.


"O Felipão começou a falar da importância do jogo e brincou: 'Eu não quero o Renato do Rio de Janeiro. Eu quero o Renato de Bento Gonçalves, que era padeiro. O Renato respondeu: 'Esse aí você não vai ter mais, mas pode ficar tranquilo que estou acostumado a ganhar deles'. E todo mundo caiu na risada", contou Luís Carlos Goiano, ex-volante do Grêmio, ao ESPN.com.br.


Apesar disso, Felipão escalou o astro como titular com a camisa 7 ao lado de Paulo Nunes, que ficou com a 10. E não se decepcionou. Renato fez uma linda jogada pela direita e cruzou para o gol de cabeça do centroavante Jardel. Aos 33 minutos do primeiro tempo, o jogador foi substituído pelo jovem Arílson. O Grêmio ainda marcaria outro gol com Jardel para finalizar a vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo.


“Jogada ensaiada dentro do hotel, minha e do Jardel”, brincou Renato ao deixar o gramado após a partida.


“Fica fácil de jogar com um craque com as qualidades do Renato”, comentou Jardel.


Na biografia "Anjo ou Demônio: a polêmica trajetória de Renato Gaúcho", da Editora Approach, o autor Marcos Eduardo Neves diz que Kleber Leite, então presidente do Flamengo, tentou contratá-lo em um jantar reservado, mas o convite foi recusado.


Sem Renato, o Grêmio perdeu para São Paulo (que foi o campeão) e Santos (vice), terminando o torneio na terceira posição. Nas semanas seguintes, o Tricolor gaúcho foi campeão do Estadual e da Libertadores.


"Nosso time tinha muitos jogadores jovens formados na base e alguns mais experientes. A gente estava encaixado, mas, se o Renato tivesse vindo para o nosso elenco, teria acrescentado muito, mas a equipe deu liga e venceu vários títulos", contou Goiano.


Pouco mais de 26 anos após este jogo histórico, Flamengo e Grêmio irão duelar pela Copa do Brasil.


"O Grêmio é um time copeiro, por mais que vive um momento de turbulência, vem de dois bons resultados no Brasileirão. Chegaram peças importantes. Na sexta-feira, eu visitei o Felipão, que está bem otimista quanto aos reforços e na recuperação dos que estavam no departamento médico. Em breve, ele começará a colocar o time ideal em campo. Quem sabe o Grêmio já não consiga fazer um bom resultado? Em decisão não se vê um jogo solto. O Flamengo é o melhor time do Brasil e, quando está inspirado, é quase impossível ser vencido. Mas no futebol é possível, as coisas dão certo e você consegue vencer", disse Goiano.



"O Felipão tem um desafio enorme de montar uma equipe que já vinha com uma estrutura do Renato há algum tempo. Estão chegando novos jogadores e criando um novo time. Torço para que ele tenha o mesmo sucesso daquela passagem dos anos 90. Ele foi o mentor de uma ideia e do esquema de jogo da nossa equipe. Todos os atletas acreditaram muito nele", finalizou.

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