Um grito forte, até incomum para Jean Pyerre: "calmaaaaaaa". Assim mesmo, com as últimas letras arrastadas. A reação do meia a uma investida de Rodrigues pela esquerda, com desfecho improdutivo, evidenciou o desespero do Grêmio para tentar vencer o América-MG na tarde de sábado.
Mas calma é tudo o que o time não tem — e realmente precisa ter — no atual momento. Só assim terá eficiência mais alta e crescerá na briga contra o rebaixamento.
O empate em 1 a 1 pela 13ª rodada do Brasileirão apresentou a tentativa de Felipão em um esquema com três zagueiros. Até mostrou bons sinais, teve lá seus pontos positivos, mas bateu na parede da falta de pontaria gremista.
Se o time passou a jogar por poucas bolas, tem que melhor aproveitá-las. O Tricolor parece inerte na briga dentro do Z-4 e acumulou o sétimo jogo em casa sem vencer.
Foram, além do gol anotado, três chances claríssimas de balançar as redes. E o Grêmio as desperdiçou. Três das quatro oportunidades saíram dos pés dos laterais. Vanderson recebeu pela direita e deu o passe para Guilherme Guedes, tão pedido pela torcida, abrir o placar no início da partida.
Depois, Guedes deixaria Alisson e Ricardinho em condições de marcar. O meia-atacante acertou o travessão de frente para o gol, enquanto ao jovem centroavante faltou a calma citada no início do texto.
Sentado na arquibancada a observar os movimentos, é fácil falar, que fique aqui claro. Mas Ricardinho tinha tempo para dominar o cruzamento, que foi muito alto, e ajeitá-lo melhor para o chute ao invés de finalizar de primeira.
"Vocês estão vendo as coisas organizadas. Pode criar duas ou três chances, mas as que criamos eram um pênalti sem goleiro e drible no goleiro. Para resultar em gol com tranquilidade. Nossa identidade é essa. Tranquilidade para jogar e sabedores da hora para atacar", apontou o técnico Felipão.
"Se a atuação não foi a melhor, pelo menos não foi ruim. Agora, quem teve chance de gol fomos nós. O América achou um gol. A sorte não está nos acompanhando. Daqui a pouco entra", Marcos Herrmann, vice de futebol.
Erro na defesa, poucas alternativas
O trio de zagueiros formado por Ruan, Paulo Miranda e Rodrigues não teve a solidez pretendida, mas cedeu poucas oportunidades de o adversário entrar na área. Só mesmo no gol sofrido, em erros de Ruan e Paulo Miranda. Gabriel Chapecó trabalhou, na maioria dos casos, em chutes de fora da área.
O primeiro tempo no novo esquema foi bom. Os dois laterais se formaram como alternativas importantes para o setor ofensivo, especialmente para criar em velocidade — e recuavam para formar uma linha de cinco quando necessário.
Douglas Costa fez seu melhor jogo, alternando como segundo atacante e meia com Alisson. Parecia um esboço de reação no Brasileirão não fosse o empate sofrido ainda na etapa inicial. E a incapacidade de mostrar força para reagir enquanto vive esse turbilhão de emoções que é a briga contra o rebaixamento.
Ricardinho teve a última chance no fim da partida, em passe em profundidade de Darlan, mas que parou no goleiro Matheus Cavichioli ao tentar o drible. Alisson também obrigou o goleiro a trabalhar em tabela curta com o centroavante pelo meio.
Mas a defesa tinha pouquíssima alternativa para sair de trás. Quando o time roubada de bola e buscava surpreender o América-MG, tinha êxito em trocar três ou quatro passes. Porém, quando a posse iniciava com o Grêmio, virava sempre um chutão de Gabriel Chapecó para a disputa da segunda bola.
"É a primeira vez que o Grêmio tem posse de bola igual ao adversário. O que nós estamos fazendo é montar uma equipe que, às vezes, tem que jogar de uma forma diferente nos jogos. Não existem treinos para isso. É a dificuldade que enfrentamos", justificou o técnico.
Portanto, Scolari usou uma igualdade no controle da bola como exemplo de que o trabalho está no caminho certo até corrigir todos os problemas. No entanto, é pouquíssimo para o Grêmio, em casa, contra um rival direto na briga contra o rebaixamento.
O elenco volta a treinar já na manhã deste domingo no CT Luiz Carvalho. Na terça, encara o Vitória pela primeira partida das oitavas de final da Copa do Brasil, em Salvador, às 21h30. Diego Souza, que saiu com dores na coxa direita, é problema certo. Douglas Costa também será reavaliado.
Comentários
Comentários (2)
Estamos à beira do pior...rrr...
Quando não se ganha do América-MG é sinal claro que não deu certo
Enviar Comentário
Aplicativo Gremio Avalanche
Leia também
Grêmio terá representantes no estafe da Seleção Brasileira
Grêmio avalia situação de Amuzu em meio a polêmica
Concorrência pesada: Grêmio disputa Arboleda com rivais da Série A
Confiança x Grêmio: onde assistir, escalações, arbitragem, e mais...
Grêmio confirma desligamento de head scout e busca reposição
QUEM JOGA! Provável escalação do Grêmio para duelo decisivo na CDB
COM MUDANÇAS! Grêmio chega em Aracaju para decisão contra o Confiança na Copa do Brasil
Grêmio avalia liberar Amuzu para amistoso fora da Data FIFA
Luís Castro abre espaço para jovens em jogo decisivo
Arthur perto de voltar, mas situação contratual preocupa
Mistério no Grêmio: Luís Castro prepara mudança para duelo decisivo