De uns meses para cá, o 2021 do Grêmio está marcado por dificuldades e clima pesado. Mas essa tensão aumentou ainda mais na última semana, desde os bastidores do clube até o protesto violento vivido na tarde de quarta-feira em frente ao CT Luiz Carvalho. E com decisões relevantes para a sequência da temporada na briga contra o rebaixamento.
O último ato de nervos à flor da pele foi o ônibus de jogadores alvo de pedradas antes do treino na tarde passada. O retorno às atividades após três dias de folga deu novo capítulo ao momento turbulento do Tricolor.
"A única forma (de diminuir a tensão) é trabalhando em campo. Só vamos sair vencendo os jogos, não adianta falar. Não tem segredo. A cobrança vai existir sempre. Em clube grande como o Grêmio, estar nessa situação é ruim, mas só sai vencendo. É o que vamos fazer para a gente voltar a respirar e sair da situação que nos incomoda", destacou Rafinha.
"Sabemos que vai passar, a maré vai virar. Somos um grupo trabalhador, não tem vagabundo aqui. Todos estão com o mesmo pensamento, na mesma direção com a comissão. Temos tudo para fazer um segundo turno muito melhor que o primeiro para sair desta situação", Rafinha, lateral do Grêmio.
Eram cerca de 150 torcedores gremistas na Rua João Moreira Maciel, às margens da BR-290, à espera do veículo com faixas de protesto. Os relatos dos bastidores do clube são de que a confusão poderia ter tomado gravidade ainda maior pelo que foi vivido no local.
Do prédio do centro de treinamentos, funcionários ouviam o barulho das pedras se chocando com as telas e o cimento. Alguns pedregulhos passaram próximo de trabalhadores na parte interna do CT, conforme ouviu o ge.
Os torcedores só não invadiram o local pela presença da polícia dentro do estacionamento. Quatro veículos foram danificados, além do ônibus do clube, placas solares de energia e uma caixa d'água.
Segundo o presidente Romildo Bolzan Júnior afirmou em entrevista à Rádio Gaúcha, quatro pessoas teriam sido detidas. O ge procurou a Brigada Militar para obter uma informação oficial, mas não conseguiu contato.
As manifestações do Grêmio foram de repudiar o ato publicamente. O clube fez isso institucionalmente com uma nota. O lateral-direito Rafinha também foi aos microfones para condenar a ação. Bolzan prometeu banir os envolvidos do quadro social.
Rescisão de Maicon e ânimos acirrados
A manifestação da torcida foi o último ato de dias complicados. Na segunda-feira, o Grêmio já havia surpreendido ao rescindir o contrato de Maicon.
O volante era uma das principais referências do vestiário e símbolo do momento vitorioso vivido nos últimos anos. Não resistiu à explosão de fúria que o levou à expulsão na derrota para o Corinthians.
O lateral-direito Rafinha lamentou a saída do companheiro. Mas disse entender a decisão do clube e do meio-campista.
Na segunda, também houve reuniões da diretoria com conflitos de interesse. A proposta do Brentford, da Inglaterra, pelo lateral-direito Vanderson elevou um pouco os ânimos a partir de diferentes ideias.
Houve quem fosse favorável à venda por conta dos valores envolvidos — 12 milhões de euros (R$ 74 milhões), com possibilidade de arrecadar outros 2 milhões de euros (R$ 12 milhões), além da possibilidade de o jogador permanecer descontente em Porto Alegre.
Ao fim de tudo, tomou-se a decisão de segurar o jovem e contar com sua capacidade técnica na briga contra o rebaixamento.
A lista se completa com duas pancadas em campo quando o Grêmio vinha em um viés de crescimento. No sábado, o Tricolor perdeu para o Corinthians na Arena em jogo que poderia tirá-lo da zona de rebaixamento pela primeira vez no Campeonato Brasileiro.
Poucos dias antes, a equipe viveu outro fracasso retumbante ao ser goleada por 4 a 0 pelo Flamengo na primeira partida das quartas de final da Copa do Brasil. Tinha um jogador a mais no segundo tempo, mas levou todos os gols na etapa final e praticamente deu adeus à competição.
A derrota gerou uma série de iniciativas da diretoria e comissão técnica. Houve conversas individuais e em grupo para tentar minimizar o dano do resultado elástico em meio ao que se considerava uma melhora no rendimento do time.
A partir desta quinta-feira, o Grêmio tem 10 dias até o próximo compromisso, contra o Ceará, na Arena. Precisará encontrar tranquilidade para trabalhar em meio ao cenário turbulento que se arrasta desde o início do Brasileirão, mas se intensifica com o passar do tempo.
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