Lucas Leiva foi o convidado do Tino Marcos Uchôa desta semana. Revelado pelo Grêmio e ídolo da equipe gaúcha, Lucas Leiva ficou dez anos no Liverpool, da Inglaterra, para então ir a Lazio, da Itália. Pelo time italiano, já são quatro temporadas.
– Eu estou muito bem aqui. A Lazio tem vivido um grande momento. É minha quarta temporada aqui na Itália, espero continuar crescendo junto com o clube e que esse ano não seja diferente – comenta Lucas Leiva.
Na entrevista, o atleta relembra o começo de sua carreira, sua vida na fazenda, a Batalha dos Aflitos, a final da Libertadores contra o Boca Juniors, os momentos marcantes na Europa e até fala sobre um possível retorno ao Grêmio.
Começo da carreira
Lucas Leiva não teve uma infância difícil como a grande maioria dos que aspiram virar jogadores de futebol, mas o meia guarda com carinho a palavra "resiliência" em seus momentos nas categorias de base.
– Antes do Grêmio eu estive no interior de São Paulo, com 14 anos. Ali eu já comecei a ver uma realidade diferente do que tinha na minha casa. Eu venho de uma família classe média, para mim nunca faltou nada. Foi um choque. Eu tive que abaixar meu nível de vida, vamos dizer assim, para me tornar jogador de futebol. Eu fiz o movimento inverso, onde a maioria dos jogadores vêm de uma família mais humilde, com menos condições – disse o meia.
– Primeiro, a concorrência é enorme. Segundo, a questão do futebol brasileiro você ser analisado e julgado rapidamente. Você tem que entrar e dar certo. E na base é aquela questão de resiliência, você não desistir. Eu sempre fui um cara muito dedicado e disciplinado, isso me ajudou a chegar no profissional do Grêmio. Quando eu subi eu treinei quatro meses literalmente atrás do gol, eu me lembro, lá no Olímpico. Quando tinha um coletivo para treinar eu treinava cinco minutos, e o Mano terminava o treino. Eu chegava em casa e pensava em ir para o juniores jogar mais. Tem a insegurança de não saber se vai dar certo. É o que todos os jovens passam, ainda mais no Brasil, onde milhões de jogadores aparecem. Meu pensamento foi aproveitar todas as oportunidades que aparecessem, e ele chegou na Série B, em 2005 – completou.
A Batalha dos Aflitos
A carreira de Lucas Leiva poderia ter sido outra se a Batalha dos Aflitos não tivesse acontecido do jeito que aconteceu. A partida entre Náutico e Grêmio decidiria quem subiria para a Série A do Brasileirão em 2006. O jogo ficou marcado por cinco expulsões, dois pênaltis perdidos pelos pernambucanos e um gol histórico da equipe gaúcha.
– Foi o jogo mais marcante da minha carreira. Acho que vai ser difícil eu ter um mais marcante. Foi meu primeiro ano de profissional. Eu tinha jogando uns seis jogos, e no intervalo do jogo o Ricardinho não estava se sentindo bem, e acabei entrando. Uma decisão, Náutico já tinha perdido o pênalti, aí depois aconteceu tudo aquilo. Ali teve um pouco de sorte, obviamente. Seria impossível a gente vencer o jogo sem a sorte. Se o Grêmio tivesse permanecido na Série B, talvez minha carreira tivesse outro rumo – disse Lucas, que também relembra o vestiário após a partida.
– O vestiário estava todo quebrado porque o Domingos quebrou tudo quando foi expulso. Quebrou tudo. Eu me lembro que eles pintaram o vestiário horas antes, o cheiro de tinta forte. E a gente comemorando ali, mas também preocupados como iríamos sair de lá. Estava naquela época de soltar rojão para não dormir, começaram a fazer esse tipo de coisa. Mas a comemoração foi maravilhosa, depois no outro dia com a torcida, em Porto Alegre, foi sensacional – completou o meia.
Liverpool, escorregão de Gerrard e futebol italiano
Em 2014, o Liverpool tinha tudo para ser campeão Inglês. Na reta final do campeonato, porém, o Liverpool acabou ficando para trás. Uma cena ficou marcada nesta temporada: o escorregão de Gerrard. Em um confronto direto contra o Chelsea, o meia inglês escorregou ao tentar dominar a bola, deixando Demba Ba na cara do gol para marcar. Lucas Leiva relembra essa partida.
– Aquele foi o momento que marcou a temporada. Quando ele escorregou parecia que foi ali que perdemos o título, mas não foi. Tivemos uma ótima sequência, mas no final acho que não fizemos o suficiente para ganhar. É a conclusão que chego hoje. A gente não pode determinar um lance, como o do Gerrard, como definidor do título. A gente tinha tempo para recuperar, fazer um gol. Eu me lembro no intervalo do jogo, ele de cabeça baixa. O Brendan falou no vestiário que o Gerrard já tinha nos salvado tanto durante o ano, que alguém tinha que ir no segundo tempo e recuperar. Mas ninguém tinha a capacidade que ele tinha de dar a volta por cima. Ficou marcado, foi dolorido porque foi um ano espetacular para o time. Um pecado, principalmente ele, capitão e símbolo do time. Tenho certeza que ele vai ganhar a Premier League com o Liverpool de outra forma – disse Lucas.
Depois de dez anos atuando pelo Liverpool, Lucas Leiva se transferiu para a Lazio, da Itália. O meia relembra com carinho do clube inglês e fala sobre a adaptação no futebol italiano.
– A minha mudança para a Itália foi planejada, podemos dizer assim. Desde a saída do Brendan Rodgers eu senti que estava começando a perder espaço. Quando o Klopp chegou me deu uma energia extra, tive dois belos anos com ele. Era algo que eu sentia que estava chegando meu momento. Eu criei uma raiz forte com o Liverpool, então era sempre muito difícil trocar de clube. Era como sair de casa. Mas senti que era o momento. A Itália era um país que sempre tive na cabeça em jogar. Acho que com 30 anos foi um momento apropriado, não tive quase nenhuma dificuldade de adaptação, que acabou facilitando. Minha família veio para um país mais parecido com o Brasil, um clima mais ensolarado que a Inglaterra. Isso ajudou na nossa adaptação. E o clube começou a crescer ainda mais, ganhamos três títulos em três anos.
Futuro no futebol
Seria impossível finalizar o programa sem perguntar sobre um possível retorno de Lucas Leiva ao Grêmio. Medindo suas palavras, Lucas diz não descartar essa possibilidade.
– Tenho até que tomar cuidado de falar em voltar. Falei da minha vontade de voltar, e os torcedores ficaram bravos, falaram que eu ia voltar com cadeira de rodas (risos). Eu tenho mais dois anos de contrato, esse e o próximo. Acho que depois dos 30 você acaba não pensando muito no futuro, vai vendo ano a ano, como seu corpo está sentindo, e estou muito contente aqui na Lazio. Mas a saudade que eu tenho da família, de pessoas que deixei, voltar a jogar no Brasil é algo que sempre tive em mente. Não sei se vai dar tempo, mas quem sabe, em um futuro próximo, se eu sentir que não vou lá fazer feio, uma volta seria bacana. Mas é algo que não penso no momento – disse o meia.
Grêmio, Lucas Leiva, Retorno
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– Eu estou muito bem aqui. A Lazio tem vivido um grande momento. É minha quarta temporada aqui na Itália, espero continuar crescendo junto com o clube e que esse ano não seja diferente – comenta Lucas Leiva.
Na entrevista, o atleta relembra o começo de sua carreira, sua vida na fazenda, a Batalha dos Aflitos, a final da Libertadores contra o Boca Juniors, os momentos marcantes na Europa e até fala sobre um possível retorno ao Grêmio.
Começo da carreira
Lucas Leiva não teve uma infância difícil como a grande maioria dos que aspiram virar jogadores de futebol, mas o meia guarda com carinho a palavra "resiliência" em seus momentos nas categorias de base.
– Antes do Grêmio eu estive no interior de São Paulo, com 14 anos. Ali eu já comecei a ver uma realidade diferente do que tinha na minha casa. Eu venho de uma família classe média, para mim nunca faltou nada. Foi um choque. Eu tive que abaixar meu nível de vida, vamos dizer assim, para me tornar jogador de futebol. Eu fiz o movimento inverso, onde a maioria dos jogadores vêm de uma família mais humilde, com menos condições – disse o meia.
– Primeiro, a concorrência é enorme. Segundo, a questão do futebol brasileiro você ser analisado e julgado rapidamente. Você tem que entrar e dar certo. E na base é aquela questão de resiliência, você não desistir. Eu sempre fui um cara muito dedicado e disciplinado, isso me ajudou a chegar no profissional do Grêmio. Quando eu subi eu treinei quatro meses literalmente atrás do gol, eu me lembro, lá no Olímpico. Quando tinha um coletivo para treinar eu treinava cinco minutos, e o Mano terminava o treino. Eu chegava em casa e pensava em ir para o juniores jogar mais. Tem a insegurança de não saber se vai dar certo. É o que todos os jovens passam, ainda mais no Brasil, onde milhões de jogadores aparecem. Meu pensamento foi aproveitar todas as oportunidades que aparecessem, e ele chegou na Série B, em 2005 – completou.
A Batalha dos Aflitos
A carreira de Lucas Leiva poderia ter sido outra se a Batalha dos Aflitos não tivesse acontecido do jeito que aconteceu. A partida entre Náutico e Grêmio decidiria quem subiria para a Série A do Brasileirão em 2006. O jogo ficou marcado por cinco expulsões, dois pênaltis perdidos pelos pernambucanos e um gol histórico da equipe gaúcha.
– Foi o jogo mais marcante da minha carreira. Acho que vai ser difícil eu ter um mais marcante. Foi meu primeiro ano de profissional. Eu tinha jogando uns seis jogos, e no intervalo do jogo o Ricardinho não estava se sentindo bem, e acabei entrando. Uma decisão, Náutico já tinha perdido o pênalti, aí depois aconteceu tudo aquilo. Ali teve um pouco de sorte, obviamente. Seria impossível a gente vencer o jogo sem a sorte. Se o Grêmio tivesse permanecido na Série B, talvez minha carreira tivesse outro rumo – disse Lucas, que também relembra o vestiário após a partida.
– O vestiário estava todo quebrado porque o Domingos quebrou tudo quando foi expulso. Quebrou tudo. Eu me lembro que eles pintaram o vestiário horas antes, o cheiro de tinta forte. E a gente comemorando ali, mas também preocupados como iríamos sair de lá. Estava naquela época de soltar rojão para não dormir, começaram a fazer esse tipo de coisa. Mas a comemoração foi maravilhosa, depois no outro dia com a torcida, em Porto Alegre, foi sensacional – completou o meia.
Liverpool, escorregão de Gerrard e futebol italiano
Em 2014, o Liverpool tinha tudo para ser campeão Inglês. Na reta final do campeonato, porém, o Liverpool acabou ficando para trás. Uma cena ficou marcada nesta temporada: o escorregão de Gerrard. Em um confronto direto contra o Chelsea, o meia inglês escorregou ao tentar dominar a bola, deixando Demba Ba na cara do gol para marcar. Lucas Leiva relembra essa partida.
– Aquele foi o momento que marcou a temporada. Quando ele escorregou parecia que foi ali que perdemos o título, mas não foi. Tivemos uma ótima sequência, mas no final acho que não fizemos o suficiente para ganhar. É a conclusão que chego hoje. A gente não pode determinar um lance, como o do Gerrard, como definidor do título. A gente tinha tempo para recuperar, fazer um gol. Eu me lembro no intervalo do jogo, ele de cabeça baixa. O Brendan falou no vestiário que o Gerrard já tinha nos salvado tanto durante o ano, que alguém tinha que ir no segundo tempo e recuperar. Mas ninguém tinha a capacidade que ele tinha de dar a volta por cima. Ficou marcado, foi dolorido porque foi um ano espetacular para o time. Um pecado, principalmente ele, capitão e símbolo do time. Tenho certeza que ele vai ganhar a Premier League com o Liverpool de outra forma – disse Lucas.
Depois de dez anos atuando pelo Liverpool, Lucas Leiva se transferiu para a Lazio, da Itália. O meia relembra com carinho do clube inglês e fala sobre a adaptação no futebol italiano.
– A minha mudança para a Itália foi planejada, podemos dizer assim. Desde a saída do Brendan Rodgers eu senti que estava começando a perder espaço. Quando o Klopp chegou me deu uma energia extra, tive dois belos anos com ele. Era algo que eu sentia que estava chegando meu momento. Eu criei uma raiz forte com o Liverpool, então era sempre muito difícil trocar de clube. Era como sair de casa. Mas senti que era o momento. A Itália era um país que sempre tive na cabeça em jogar. Acho que com 30 anos foi um momento apropriado, não tive quase nenhuma dificuldade de adaptação, que acabou facilitando. Minha família veio para um país mais parecido com o Brasil, um clima mais ensolarado que a Inglaterra. Isso ajudou na nossa adaptação. E o clube começou a crescer ainda mais, ganhamos três títulos em três anos.
Futuro no futebol
Seria impossível finalizar o programa sem perguntar sobre um possível retorno de Lucas Leiva ao Grêmio. Medindo suas palavras, Lucas diz não descartar essa possibilidade.
– Tenho até que tomar cuidado de falar em voltar. Falei da minha vontade de voltar, e os torcedores ficaram bravos, falaram que eu ia voltar com cadeira de rodas (risos). Eu tenho mais dois anos de contrato, esse e o próximo. Acho que depois dos 30 você acaba não pensando muito no futuro, vai vendo ano a ano, como seu corpo está sentindo, e estou muito contente aqui na Lazio. Mas a saudade que eu tenho da família, de pessoas que deixei, voltar a jogar no Brasil é algo que sempre tive em mente. Não sei se vai dar tempo, mas quem sabe, em um futuro próximo, se eu sentir que não vou lá fazer feio, uma volta seria bacana. Mas é algo que não penso no momento – disse o meia.
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