Ainda me surpreendo com o futebol brasileiro. Clubes endividados e pedindo socorro em PLs irresponsáveis, falando em contratações em um momento de uma crise que ninguém sabe até onde vai. O agravante, da já séria situação, é que eles sequer enxergam os sinais que o futebol tem mostrado. Isso custará caro.
Corinthians, Santos, Vasco, Sport, Atlético, Vasco... são muitos os clubes que correm risco de sofrer uma punição esportiva por desequilíbrio financeiro. É só olhar os exemplos de Cruzeiro e Manchester City.
O clube mineiro e o inglês são casos às avessas de uma mesma realidade.
O City inflacionou receitas para justificar investimento pesado no futebol. O Cruzeiro contratou sem poder pagar. São os dois extremos de um mesmo problema no futebol, a irresponsabilidade administrativa em busca de resultado. E o movimento esportivo, enfim, começou a punir.
E ele pune por dois motivos.
Primeiro, pela necessidade básica de garantir a estabilidade dos contratos, a segurança jurídica. No Direito chamado de "pacta sunt servanda", a força obrigatória dos acordos.
Segundo, para proteger um dos princípios mais caros ao esporte, a paridade de armas, o equilíbrio entre os participantes.
Tanto City quanto Cruzeiro praticaram aquilo que no esporte pode ser definido como "doping financeiro". Um inflacionando uma receita para poder gastar mais, e outro gastando o que não tinha. Os dois contratando e investindo no futebol de maneira contrária às regras, e ganhando desportivamente com isso. Isso afeta o equilíbrio esportivo, e prejudica aquele time que cumpre as regras estabelecidas.
Quem corre risco?
Resposta simples. Todo clube que esquecer de cumprir seus compromissos financeiros. Seja o pagamento para o outro clube por uma transferência internacional, seja o compromisso básico de honrar o compromisso de pagar seu empregado em dia.
A punição pode acontecer via CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas), em caso de atraso de pagamento de salários. Vasco e Sport recentemente foram proibidos de registrar jogadores.
No caso de uma dívida internacional, via FIFA. O Cruzeiro perdeu já 6 pontos na série B que sequer começou por conta de uma ordem de pagamento não cumprida.
A verdade é que o movimento esportivo começou a se organizar, até por uma pressão muito forte de parceiros financeiros e da opinião pública.
A FIFA aumentou o número de pessoas que trabalham na análise desses casos, o que agilizou o trâmite dos processos.
Só o Cruzeiro tem ainda 16 casos na FIFA. Mas o Corinthians também tem, o Sport.... O Santos, inclusive, já está proibido de registrar atletas no sistema da CBF por conta de uma dívida com o Hamburgo, da Alemanha, em relação à compra do zagueiro Cleber Reis.
As penas da FIFA pelo inadimplemento variam, de acordo com a anáise do caso concreto. Ela pode ser essa, de proibir o registro de atletas, mas podem ser mais graves. No Regulamento sobre Status e Transferências de Jogadores, item 9.4, elas são elencadas, e lá fala em perda de pontos e até rebaixamento.
O problema é que esse clube pode ser proibido de registrar atletas, mas não é proibido de contratar mesmo endividado. É isso que se vê hoje no Brasil.
Caminho para mudar
Existem caminhos para punir o gestor irresponsável. E eles podem passar pela autorregulação do esporte, ou mesmo por leis estatais.
A Lei 9615/98, a Lei Pelé, em seu art. 27, § 11, determina que os administradores de entidades desportivas profissionais respondem solidária e ilimitadamente pelos atos de gestão temerária, assim considerados aqueles atos de administração que põem em risco o patrimônio e a higidez financeira da agremiação. Mas, ela não tem se mostrado eficaz nesse combate.
Claro que a legislação pode ser mais rigorosa, exigindo contraprestação e responsabilidade daqueles gestores que ganham benefícios públicos, como créditos do Profut.
Inclusive há um Projeto de Lei no Senado desde 2017 que tipifica o crime de corrupção privada no esporte, o PL 68/17. Isso seria revolucionário para a gestão esportiva, né.
O melhor caminho parece mesmo ser o de uma autorregulação séria, clara e eficiente.
Autorregulação do esporte
O esporte se alicerça na sua autonomia. Ele cria as próprias regras de funcionamento, e participação. Não concorda, não participe da cadeia associativa do movimento. Daí a necessária autorregulação para obrigar entidades esportivas a trabalharem de acordo com a integridade.
O Fair Play Financeiro é um exemplo dessa autorregulação. Uma realidade na Europa, a CBF deve, enfim, colocar em prática um por aqui ainda esse ano.
O CNRD também é uma esperança.
O fato é que esse caminho que o esporte está tomando - inserindo regras que auxiliam na gestão responsável e no combate aos absurdos do negócio - transformará não só a administração esportiva, mas o próprio direito.
No futebol não há mais espaço para amadores, irresponsáveis e/ou criminosos. O campo já tem mostrado isso.
Agora, a Justiça começou a cobrar.
Grêmio, FIFA, Clubes, Contratar, Dinheiro
VEJA TAMBÉM
- VANTAGEM TEÓRICA! Luís Castro cita cenário positivo para o Grêmio decidir na Arena
- SOUBEMOS JOGAR! Marlon fala sobre empate no Gre-Nal 453 e elogia postura do Grêmio
- UM RESPIRO! Luís Castro ganha sobrevida no Grêmio após empate no Gre-Nal
Corinthians, Santos, Vasco, Sport, Atlético, Vasco... são muitos os clubes que correm risco de sofrer uma punição esportiva por desequilíbrio financeiro. É só olhar os exemplos de Cruzeiro e Manchester City.
O clube mineiro e o inglês são casos às avessas de uma mesma realidade.
O City inflacionou receitas para justificar investimento pesado no futebol. O Cruzeiro contratou sem poder pagar. São os dois extremos de um mesmo problema no futebol, a irresponsabilidade administrativa em busca de resultado. E o movimento esportivo, enfim, começou a punir.
E ele pune por dois motivos.
Primeiro, pela necessidade básica de garantir a estabilidade dos contratos, a segurança jurídica. No Direito chamado de "pacta sunt servanda", a força obrigatória dos acordos.
Segundo, para proteger um dos princípios mais caros ao esporte, a paridade de armas, o equilíbrio entre os participantes.
Tanto City quanto Cruzeiro praticaram aquilo que no esporte pode ser definido como "doping financeiro". Um inflacionando uma receita para poder gastar mais, e outro gastando o que não tinha. Os dois contratando e investindo no futebol de maneira contrária às regras, e ganhando desportivamente com isso. Isso afeta o equilíbrio esportivo, e prejudica aquele time que cumpre as regras estabelecidas.
Quem corre risco?
Resposta simples. Todo clube que esquecer de cumprir seus compromissos financeiros. Seja o pagamento para o outro clube por uma transferência internacional, seja o compromisso básico de honrar o compromisso de pagar seu empregado em dia.
A punição pode acontecer via CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas), em caso de atraso de pagamento de salários. Vasco e Sport recentemente foram proibidos de registrar jogadores.
No caso de uma dívida internacional, via FIFA. O Cruzeiro perdeu já 6 pontos na série B que sequer começou por conta de uma ordem de pagamento não cumprida.
A verdade é que o movimento esportivo começou a se organizar, até por uma pressão muito forte de parceiros financeiros e da opinião pública.
A FIFA aumentou o número de pessoas que trabalham na análise desses casos, o que agilizou o trâmite dos processos.
Só o Cruzeiro tem ainda 16 casos na FIFA. Mas o Corinthians também tem, o Sport.... O Santos, inclusive, já está proibido de registrar atletas no sistema da CBF por conta de uma dívida com o Hamburgo, da Alemanha, em relação à compra do zagueiro Cleber Reis.
As penas da FIFA pelo inadimplemento variam, de acordo com a anáise do caso concreto. Ela pode ser essa, de proibir o registro de atletas, mas podem ser mais graves. No Regulamento sobre Status e Transferências de Jogadores, item 9.4, elas são elencadas, e lá fala em perda de pontos e até rebaixamento.
O problema é que esse clube pode ser proibido de registrar atletas, mas não é proibido de contratar mesmo endividado. É isso que se vê hoje no Brasil.
Caminho para mudar
Existem caminhos para punir o gestor irresponsável. E eles podem passar pela autorregulação do esporte, ou mesmo por leis estatais.
A Lei 9615/98, a Lei Pelé, em seu art. 27, § 11, determina que os administradores de entidades desportivas profissionais respondem solidária e ilimitadamente pelos atos de gestão temerária, assim considerados aqueles atos de administração que põem em risco o patrimônio e a higidez financeira da agremiação. Mas, ela não tem se mostrado eficaz nesse combate.
Claro que a legislação pode ser mais rigorosa, exigindo contraprestação e responsabilidade daqueles gestores que ganham benefícios públicos, como créditos do Profut.
Inclusive há um Projeto de Lei no Senado desde 2017 que tipifica o crime de corrupção privada no esporte, o PL 68/17. Isso seria revolucionário para a gestão esportiva, né.
O melhor caminho parece mesmo ser o de uma autorregulação séria, clara e eficiente.
Autorregulação do esporte
O esporte se alicerça na sua autonomia. Ele cria as próprias regras de funcionamento, e participação. Não concorda, não participe da cadeia associativa do movimento. Daí a necessária autorregulação para obrigar entidades esportivas a trabalharem de acordo com a integridade.
O Fair Play Financeiro é um exemplo dessa autorregulação. Uma realidade na Europa, a CBF deve, enfim, colocar em prática um por aqui ainda esse ano.
O CNRD também é uma esperança.
O fato é que esse caminho que o esporte está tomando - inserindo regras que auxiliam na gestão responsável e no combate aos absurdos do negócio - transformará não só a administração esportiva, mas o próprio direito.
No futebol não há mais espaço para amadores, irresponsáveis e/ou criminosos. O campo já tem mostrado isso.
Agora, a Justiça começou a cobrar.
Grêmio, FIFA, Clubes, Contratar, Dinheiro
VEJA TAMBÉM
- VANTAGEM TEÓRICA! Luís Castro cita cenário positivo para o Grêmio decidir na Arena
- SOUBEMOS JOGAR! Marlon fala sobre empate no Gre-Nal 453 e elogia postura do Grêmio
- UM RESPIRO! Luís Castro ganha sobrevida no Grêmio após empate no Gre-Nal
Comentários
Enviar Comentário
Aplicativo Gremio Avalanche
Leia também
Gestão de elenco: Grêmio analisa possíveis desfalques antes do duelo contra a Chapecoense
Grêmio finaliza contratações e foca na venda de Gabriel Mec para equilibrar caixa
Grêmio em perigo: empate no Gre-Nal amplia seca de gols e pressiona time antes de duelo decisivo
Gre-Nal: operação de trânsito com ônibus especiais garante fluidez na chegada ao Beira-Rio
Cebolinha à espera de definição: alto salário e propostas internacionais dificultam retorno ao Grêmio
Grêmio na encruzilhada: transições de elenco e a busca por reforços estratégicos para 2024
Cobrança de Luís Suárez expõe fragilidade financeira do Grêmio em meio a desafios administrativos
Revés jurídico: Grêmio enfrenta disputa com Suárez por direitos de imagem após rescisão polêmica
Grêmio entre imbróglio jurídico e mercado: Suárez traz ônus financeiro enquanto Monsalve vai emprestado
Grêmio negocia saída de Kike Olivera para o FC Cincinnati e busca ponto final em empréstimo ao Bahia
Sem vitórias na mira, Grêmio se prepara para duelo decisivo contra o Bragantino antes do Gre-Nal
Ausência de Jean Pyerre por dois meses força Grêmio a reavaliar seu planejamento tático na temporada
Carlos Vinícius lidera a lista de cartões e preocupa Grêmio na luta por regularidade em 2026
Grêmio e São Paulo se enfrentam em duelo decisivo nas quartas do Brasileiro Feminino
Grêmio busca retomar o controle em casa para garantir a vaga nas semifinais da Copa do Brasil
Empate sem gols entre Inter e Grêmio é inédito nas quartas da Copa do Brasil e deixa tudo em aberto
Desafios financeiros e pressão no Grêmio: reformulação urgente à beira do Gre-Nal
Empate sem gols no Beira-Rio acirra rivalidade entre Grêmio e Internacional em clássico tenso
Após reviravolta, Grêmio vira o jogo contra o São Paulo e ganha fôlego na competição
Luís Castro sob pressão: ex-jogador exige demissão e alerta para risco de rebaixamento do Grêmio
Grêmio avalia saída de Balbuena e abre portas para retorno ao Paraguai no Libertad
Gre-Nal 453: Luís Castro vive ultimato no Grêmio em duelo decisivo pela recuperação da equipe
Empate no Gre-Nal revela crise do Grêmio e pressiona Luís Castro antes de confronto decisivo
Empate sem gols no Beira-Rio mantém Grêmio e Internacional em suspense por vaga na semifinal
Clássico gaúcho termina empatado em polêmica partida sem gols e deixa tudo aberto para o jogo de volta
Wallace brilha na defesa e segura empate sem gols no clássico gaúcho pela Copa do Brasil
Grêmio enfrenta pressão por reação após empate sem gols com o Internacional nas quartas da Copa do Brasil
Medidas intensificadas garantem segurança em Gre-Nal 453 após histórico de confrontos violentos
A pressão no Brasileirão afeta Grêmio, alerta Luís Castro antes de decisão na Copa do Brasil
Gre-Nal 453: clássico decisivo pode ser a virada para Internacional e Grêmio na temporada
Grêmio empresta Monsalve ao Estudiantes e se prepara para reestruturação financeira e de elenco
Grêmio enfrenta transfer ban e se torna pioneiro em gestão financeira no futebol brasileiro
Grêmio enfrenta Internacional em clássico decisivo e luta para dissipar pressão sobre Luís Castro
Pressão em alta: Grêmio se prepara para o Gre-Nal sob olhar crítico da torcida e mudanças à vista
Renato Portaluppi prioriza reforços e mira Raphael Veiga na reformulação do Grêmio para 2024
Gre-Nal pode ser divisor de águas para Luis Castro e a confiança da diretoria do Grêmio
Polêmica apimenta o clássico: arbitragens discutíveis marcam empate sem gols entre Internacional e Grêmio
Poderoso duelo no Beira-Rio: Internacional e Grêmio decidem futuro nas quartas da Copa do Brasil
Polêmica de arbitragem marca empate sem gols entre Internacional e Grêmio nas quartas da Copa do Brasil
Copa do Brasil: clássico gaúcho pode ser a salvação para Internacional e Grêmio em crise
Gre-Nal do Século ou nova gangorra? Desafio decisivo entre Grêmio e Inter no Beira-Rio
"VANTAGEM TEÓRICA"! Luís Castro cita cenário positivo para o Grêmio decidir na Arena
"SOUBEMOS JOGAR"! Marlon fala sobre empate no Gre-Nal 453 e elogia postura do Grêmio
UM RESPIRO! Luís Castro ganha sobrevida no Grêmio após empate no Gre-Nal
O QUE FALTA? Entenda o que ainda impede Kike Olivera deixar o Grêmio em definitivo
TUDO IGUAL! Grêmio empata com Inter e decisão da vaga fica para a Arena
ONDE ASSISTIR! Internacional e Grêmio duelam por vaga na Copa do Brasil
DEMISSÃO EM JOGO! Gre-Nal pode definir permanência ou não de Luís Castro
ESCALAÇÃO DO TRICOLOR! Veja os titulares do Grêmio na decisão
ESTRATÉGIA! Grêmio aposta em quatro armas para explorar defesa do Inter
QUE MORAL! Felipão rasga elogios a volante gremista antes do Gre-Nal
TUDO CERTO! Grêmio encaminha empréstimo de Monsalve ao Estudiantes até 2027
VELHO CONHECIDO! De saída do Flamengo, atacante volta ao radar do Grêmio; entenda a operação
PROPOSTA NA MESA! Grêmio recebe oferta por Tetê apenas oito meses após contratação
É DIA DE GRE-NAL! Grêmio encara o Inter pela Copa do Brasil; veja onde assistir, horário e escalações
ESTÁ DE BRINCADEIRA! Ex-dirigente do Grêmio detona Arthur, cita forma física e revela pedida milionária