Depois de ser campeão em 1997, o Inter passou um longo período (cinco anos) sem conquistar o Gauchão. O Grêmio viveu a mesma situação a partir de 2001. Antes disso, os tricolores celebraram o surgimento de um dos maiores talentos nascidos no futebol gaúcho em todos os tempos: Ronaldo de Assis Moreira.
Vamos relembrar como os personagens em determinadas conquistas podem ser completamente diferentes um do outro. O craque identificado desde sempre, que surge e resolve. E o herói improvável, que nunca se firmou, nem mesmo depois do gol do título na casa do maior rival.
1999 - GRENAL 341 — GRÊMIO 1X0 INTER
Título do Grêmio: 32.º
O Gauchão de 1999 instituiu uma novidade nas fases decisivas: play-off de até três partidas. O Grêmio, de Celso Roth, chegou para brigar pelo título com o Inter, de Paulo Autuori. Pouco tempo antes da decisão, os tricolores festejaram a inédita conquista da Copa Sul, em Curitiba, sobre o Paraná, gol do zagueiro Ronaldo Alves. Por outro lado, os colorados ainda sentiam a surpreendente goleada sofrida em pleno Beira-Rio para o Juventude (0x4), na semifinal da Copa do Brasil.
Na primeira partida, vitória colorada em casa: 1 a 0, gol do zagueiro Gonçalves. O Inter poderia ter liquidado o campeonato três dias depois no Olímpico, mas levou 2 a 0, gols de Ronaldinho e Agnaldo. Sem saldo de gols como critério, foi necessário o terceiro jogo do play-off. Mais um Gre-Nal no domingo, 20 de junho. Foi no Estádio Olímpico, já que os gremistas tinham a melhor campanha.
No terceiro clássico em uma semana, Ronaldinho deu show. Seu marcador, o então tetracampeão mundial Dunga, ficou atordoado. Grêmio 1 a 0 e a taça voltava para o lado tricolor depois de três anos.
Time campeão: Danrlei, Émerson, Ronaldo Alves e Éder; Itaqui, Capitão, Fabinho (Djair), Ronaldinho e Roger; Rodrigo Gral (Cleison) e Agnaldo (Zé Afonso). Técnico: Celso Roth
2006 — GRENAL 365 — INTER 1X1 GRÊMIO
34º título do Grêmio
Um campeão sem vencer na final. Mas com o regulamento debaixo do braço. O Grêmio em 2006 vinha da Série B do Brasileiro e da inesquecível Batalha dos Aflitos. Seu adversário na final tinha uma base montada há três anos, motivos de sobra para reclamar do vice brasileiro de 2005 e uma campanha sólida na fase de grupos da Copa Libertadores. O favoritismo estava do lado vermelho.
No primeiro confronto, 0 a 0 no Estádio Olímpico. Não levar gol em casa era um alívio para os gremistas. Veio a volta. Um domingo, 9 de abril, no Beira-Rio. O Inter precisava vencer e partiu para o ataque, chegando ao gol no início do segundo tempo, com Fernandão. Os pênaltis estavam descartados e o Grêmio precisava de um gol.
Quatro minutos depois de sair atrás, o técnico Mano Menezes colocou Pedro Jr. na vaga de Ramón. O jovem atacante, vindo do Vila Nova, de Goiás, tinha conversado com seu companheiro Lipatin, momentos antes de entrar em campo.
— Que bom que eles fizeram o gol — disse o uruguaio.
— Ué, por quê? — perguntou Pedro Jr.
— É que eu tenho a certeza de que quem o Mano escolher, entre mim e você, para entrar no jogo agora, vai acabar fazendo o gol do título — respondeu Lipatin.
A profecia se concretizou aos 33 minutos da etapa final. Pedro tocou com a nuca na bola, após cruzamento de Marcelo Costa. Clemer não alcançou. Com dois empates mas um gol marcado fora de casa, o Grêmio vencia o Gauchão na casa do maior rival depois de 26 anos.
Time campeão: Marcelo Grohe, Patrício, Evaldo, Pereira e Escalona (Tcheco); Jeovânio, Lucas Leiva, Ramón (Pedro Júnior) e Marcelo Costa; Wellington e Ricardinho (Nunes). Técnico: Mano Menezes.
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