Imagem: Fernando Moreno/AGIF
Nos inícios de suas três séries, o Brasileiro teve 150 casos de testes positivos de coronavírus entre todos os exames de jogadores, das comissões técnicas e árbitros. No total, foram 27 partidas, sendo que duas delas adiadas por conta de surtos dentro das equipes, uma da Série A e outra da Série C. Após a primeira rodada, a CBF fez revisões em seus protocolos de prevenção de Covid.
A confederação não informa oficialmente o número de casos positivos: afirma que só os clubes podem fazer esses anúncios. O blog confirmou esse dado de exames positivo com duas fontes.
Não foi possível, no entanto, confirmar qual o percentual de testes positivos porque não obtivemos o total executado no Hospital Albert Einstein. Como houve 27 jogos marcados na primeira rodada, foram pelo menos 1.242 atletas testados - 46 por jogo no mínimo. Além disso, há exames de comissão técnica e de árbitros.
A CBF entende que a tendência é de diminuição do número de casos positivos durante o campeonato. Isso porque vários dos times não vinham disputando campeonatos e podiam não estar realizando exames com frequência, o que possibilitava surtos. Foi assim no Campeonato Carioca: os primeiros testes mostraram grande contaminação nos elencos, e depois foram sendo reduzidos quase a zero.
"A Copa do Nordeste teve 20 casos no início em um time, um no meio e acabou no zero. Tem que seguir protocolo. Outra coisa que está cada vez mais clara: quem transmite mais é quem fica em lugar fechado, por mais de dez minutos", afirmou o infectologista da Unesp, .SergioWey, que um dos consultores da CBF para o protocolo de Covid. Ele ressaltou que, por ser ao ar livre, o futebol não tem tanto risco de transmissão. Lembrou que jogadores do Guarani que tinham enfrentado o CSA, com alto número de infectados, não testaram positivo
Ainda assim, a CBF se surpreendeu com determinados casos de teste positivo em massa como do CSA. O time vinha passando por exames para a Copa do Nordeste. E não tinha casos positivos em massa. Atualmente, o CSA está com 18 atletas com positivos após uma segunda rodada de exames e com seu jogo adiado.
No caso do Goiás, o clube também afirma que fazia testes regulares. E houve um surto com dez casos de testes positivos antes da estreia diante do São Paulo, adiada.
"Veja bem, deu em Alagoas, Maranhão e Goiás. A situação epidemiológica era maior do que em outras cidades que tiveram curvas na descendência. Pode ter acontecido em reuniões de pessoas sem seguir protocolo, fora da atividade da profissional. Na empresa, tem o rigor. Mas você se reúne no churrasco. Em geral, estavam cidades que estavam em ascensão. De fato, acometeu um grande número de atletas. O que foi feito, ficaram na cidade deles, e não viajaram", explica Sergio Wey.
Apesar do alto número de casos, os protocolos da CBF para prevenção da Covid são elogiados pelo infectologista Victor Roma, médico infectologista, mestre em medicina tropical e saude internacional pela London School of Hygiene and Tropical Medicine. A pedido do blog, ele leu todos os protocolos, inclusive os revisados pela CBF como permitir casos positivos de jogar depois de quarentena e provas de que já se passou o período de 10 dias.
"Está bem razoável. Bastante extenso, bem detalhado. Vamos ver se vai ser implantado de maneira correta", diz Roma. Com a implantação desses procedimentos, o infectologista entende que haverá um risco reduzido de infeção.
"Todos esses procedimentos diminuem bastante o risco de transmissão dentro dessas partes. Mas nunca vai ser zero o risco. Vai ter um risco pequeno. Mas me parece que será um risco bastante reduzido. São procedimentos bastante compreensíveis. Me pareceu interessante as recomendações da CBF", diz o Roma.
O infectologista fez duas observações sobre os procedimentos listados pela CBF: 1) O inquérito epidemiológico tem incluir, além dos sintomas dos jogadores, se este teve contato com alguém infectada. 2) os jogadores têm que se isolar de outros contatos após os testes para não se expor novamente à contaminação.
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