Foto: Eduardo Moura
A tentativa não surtiu efeito, é verdade. Mas uma das últimas iniciativas no Brasil de unir os clubes teve participação efetiva de Romildo Bolzan Júnior, presidente do Grêmio. A experiência deixou bem evidente para o mandatário uma "incapacidade de convivência" dos clubes brasileiros. Em evento no fim da manhã desta quarta-feira, acompanhado do ex-presidente do Inter e ex-vice do Clube dos 13, Fernando Carvalho, Bolzan foi questionado sobre o cenário brasileiro e afirmou que o encaixe de poder da CBF é "avassalador".
Os dois dirigentes gaúchos concederam entrevista coletiva juntos antes de uma palestra na Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) em evento chamado de "Tá na Mesa". Ambos falavam sobre profissionalização dos clubes quando perguntados sobre organização do futebol brasileiro e protagonismo. Romildo lembrou da alteração no estatuto da CBF no ano passado, dando peso maior para os votos das federações em relação aos clubes.
- O sistema de poder, o encaixe de poder, o jogo de poder da CBF é avassalador. Porque é um jogo que só tem consistência e divisão para se manter. A CBF alterou o estatuto, deu peso 3 às federações. É absolutamente uma política de autopreservação. Não quer dizer que os clubes não são bem atendidos na CBF. Tive a experiência da Primeira Liga, a incapacidade de convivência dos clubes é notória, é visível, é terrível. E é burra, porque os clubes não têm espírito corporativo. Quando os interesses estão na mesa para resolver, prevalecem questões internas - discorreu Romildo.
Carvalho, ex-presidente e dirigente do futebol colorado, teve a experiência ao lado de Fábio Koff no Clube dos 13. Recordou de um momento quando uma vaga do Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) esperava indicação dos clubes. E o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ligou para Carvalho e apontou o nome que ele queria.
Havia um acordo com outros clubes, como Palmeiras e Cruzeiro, para a indicação de um representante ligado ao Sport. Mas, após os contatos feitos por Teixeira com os dirigentes, houve uma desmobilização e mudança na escolha.
- É atual, mas foi no passado também. Na hora, sempre tem um interesse particular paralelo que prevalece. O Ricardo Teixeira ligou e perdi de 20 a 1 a indicação daquele representante. Exatamente como disse o Romildo: temos também o embaraço de não enfrentar, eles têm um cartel de votos, é necessário para ter candidato, colocar oito federações. É impossível conseguir oito assinaturas. Inibe os candidatos. Participamos de uma eleição que é presencial, não tem voto - apontou Fernando Carvalho.
A Primeira Liga sempre foi uma iniciativa louvada por Romildo, que apesar de não ter nenhum cargo no organograma, era um dos maiores entusiastas desde o início. Mas desde o ano passado, o grupo ruiu. A competição foi disputada em 2016 e 2017, mas não ocorre nesta temporada.
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- O sistema de poder, o encaixe de poder, o jogo de poder da CBF é avassalador. Porque é um jogo que só tem consistência e divisão para se manter. A CBF alterou o estatuto, deu peso 3 às federações. É absolutamente uma política de autopreservação. Não quer dizer que os clubes não são bem atendidos na CBF. Tive a experiência da Primeira Liga, a incapacidade de convivência dos clubes é notória, é visível, é terrível. E é burra, porque os clubes não têm espírito corporativo. Quando os interesses estão na mesa para resolver, prevalecem questões internas - discorreu Romildo.
Carvalho, ex-presidente e dirigente do futebol colorado, teve a experiência ao lado de Fábio Koff no Clube dos 13. Recordou de um momento quando uma vaga do Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) esperava indicação dos clubes. E o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ligou para Carvalho e apontou o nome que ele queria.
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