Marcelo Marques se tornou um dos personagens mais queridos pela torcida do Grêmio. Ele é responsável pelo negócio milionário que dará ao clube a propriedade e a gestão da Arena, casa do time gaúcho desde 2012, mas que só seria repassada oficialmente em 2033. A transação teve custo de R$ 130 milhões. Marques é empresário e dono de um império... de pães. Ele fundou, em 1999, junto do irmão Claudiomar Marques, uma pequena fábrica que fornecia pães para mercearias em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre.
A Marquespan escalou gradativamente. Em 2013, foi inaugurada uma segunda fábrica, em Tatuí, a cerca de 150 km da capital paulista. Pouco mais de uma década depois, em 2022, o negócio chegou a seis unidades fabris, estabelecendo-se também no Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. A companhia aponta a capacidade de produzir 20 milhões de pães por dia. O número faz com que a empresa afirme ser a maior fabricante de pão francês do mundo. É informado, ainda, que são atendidos 20 mil clientes no Brasil.
O empresário gremista chegou a lançar uma pré-candidatura à presidência do Grêmio e prometeu comprar a gestão do estádio. Um de seus principais concorrentes na disputa, que ainda não iniciou de fato, era Paulo Caleffi, vice-presidente de futebol no primeiro semestre de 2023. Caleffi retrucou dizendo que a compra era complexa e não seria tão viável quanto Marques anunciava. Após a confirmação do negócio, o ex-dirigente do Grêmio retirou sua pré-candidatura e demonstrou apoio ao empresário.
Marques também tem envolvimento na política do Grêmio. Ele é fundador do movimento "O Grêmio é Nosso", contrário a uma possível implementação do modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) no clube. "Não quero que vire SAF de jeito nenhum. Seria um dia muito triste para mim, porque eu quero que o Grêmio seja sempre do torcedor", falou em entrevista ao jornal Zero Hora.
A Marquespan estampava sua marca nos uniformes de Grêmio e Internacional. Quando Marcelo Marques anunciou que seria pré-candidato à presidência do Grêmio, o logotipo foi retirado do uniforme colorado. Entretanto, o movimento veio da própria empresa, que continuou cumprindo com os valores acordados com o Inter, mesmo sem a exposição. A compra da Arena não é o primeiro envolvimento pessoal de Marques com o Grêmio. Em 2023, ele foi um dos mecenas que bancavam os salários de Luis Suárez, contratado para o ataque tricolor. Junto dele, estavam outro empresário do ramo alimentício e uma casa de apostas que patrocinava o time na época. O uruguaio recebia cerca de R$ 2 milhões mensais e levou o time gaúcho ao vice-campeonato do Brasileirão.
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