Mais do que a tentativa de melhorar o desempenho do time, a demissão do técnico Gustavo Quinteros representa uma oportunidade para o Grêmio se reaproximar da torcida. Depois da saída de Renato Portaluppi no final do ano passado, o clube perdeu o seu principal elo com as arquibancadas e ficou carente de figuras capazes de mobilizar a massa mesmo nos momentos de dificuldade. Após breve empolgação com goleadas sobre Caxias, São Luiz e Pelotas, os 109 dias de Quinteros à frente do Grêmio foram de tensão. O time não agradava à torcida mesmo nas vitórias e, nos últimos dois jogos em casa, contra Atlético Grau e Flamengo, a equipe foi vaiada desde o primeiro tempo.
Nas entrevistas coletivas, Quinteros não soube trazer a torcida para o seu lado. Ao contrário, mostrou-se frio. Questionado sobre as vaias depois de derrotar o Atlético Grau por 2 a 0, pela Sul-Americana, respondeu: — O tema da torcida não posso responder. Tem que perguntar para a torcida. E após perder para o Flamengo por 2 a 0, teve audição seletiva: — Hoje escutei a torcida alentar todo o jogo, não escutei a reprovação. A verdadeira torcida sempre apoia.
O elenco gremista também não possui um atleta capaz de mexer com a torcida. Capitão e um dos mais antigos do elenco, Villasanti foi engolido pela má fase do time em 2025. Único remanescente dos títulos da Copa do Brasil de 2016 e da Libertadores de 2017, Kannemann ficou de fora por muito tempo para se recuperar de cirurgia no quadril. Foi relacionado pela primeira vez justamente na goleada sofrida para o Mirassol, que derrubou Quinteros.
É nessa lacuna de representatividade que pode entrar também o coordenador técnico. Caso seja alguém com histórico vencedor no clube — a exemplo de Felipão ou Maicon, como se pede nas redes sociais —, essa figura poderia auxiliar na gestão do vestiário. Dar voz ao sentimento da torcida e respaldar as decisões de Alexandre Rossato, Guto Peixoto e Alberto Guerra, os responsáveis diretos pelo futebol, seriam outras funções. O Grêmio precisa manter com a torcida uma relação de apoio inabalável. Quando a equipe não corresponder, as vozes das arquibancadas podem suprir as falhas técnicas, como já ocorreu com gerações vencedoras do clube, no passado.
Poderia ser a força dos torcedores a dar esperança para um bom resultado no Gre-Nal de sábado, às 21h, mas a venda de ingressos — mesmo com promoções e compra do público geral antecipada — segue tímida. Até a noite de quinta-feira, cerca de 10 mil ingressos haviam sido comercializados. E o pior é que não há a quem recorrer.
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