Com uma nova comissão técnica prestes a chegar em Porto Alegre, a torcida poderá ver um jeito diferente de o Grêmio jogar. A exemplo do que fez no Vélez Sarsfield, campeão argentino em 2024, Gustavo Quinteros tem um modo próprio de conduzir o vestiário e costuma armar equipes objetivas na hora de atacar. Em apenas uma temporada pelo futebol argentino, o novo treinador do Grêmio deixou marcas. Devolveu o título da liga argentina ao Vélez depois de 11 anos. O técnico chega para substituir Renato Portaluppi, o maior ídolo da história tricolor. – O que buscamos primeiro, como característica, de ser um futebol propositivo, construtor, com velocidade e intensidade – resumiu o presidente Alberto Guerra sobre o perfil buscado em entrevista ao ge e RBS TV. Em termos de esquema tático, Quinteros desenha um time parecido com o que Renato priorizava. A formação de preferência é o 4-2-3-1, mas pode variar para 4-3-3, conforme o contexto da partida e do adversário. (Quinteros) Joga com dois volantes centrais, um meia, dois extremos bem abertos e um centroavante.
Na linha dos meias, gosta de um ponta mais ofensivo e outro mais construtor, que possa pensar e construir jogadas com o camisa 10, acrescenta o jornalista e analista tático do ge, Leonardo Miranda. Nas laterais, pede que seus jogadores busquem a linha de fundo ao máximo. – Na defesa, não é um time que pressiona, sufoca lá na frente. Mas também não fica esperando o tempo todo atrás. (Quinteros) Gosta de uma defesa no 4-4-2 e se o time não consegue roubar imediatamente quando perde, todo mundo volta, defende, fecha espaço – destaca Miranda. Comportamento e mentalidade Mas a primeira diferença significativa é de comportamento.
Ao contrário do antigo treinador, o argentino naturalizado boliviano não é um técnico conhecido pela resenha com o grupo de jogadores, mas sim uma relação mais hierárquica. – É um técnico que mescla o espírito da velha escola com o jogo dos treinadores modernos. O que quero dizer com isso é que ele tem uma condução mais parecida com os treinadores de antes, com uma distância maior dos jogadores, mais frio de certa maneira. Mas em termos de esquema, tática e estratégia, é mais moderno – conta Valentin Mirarchi, repórter do Diário Olé, setorista do Vélez Sarsfield. As equipes de Quinteros não necessariamente costumam ter mais posse de bola que o adversário.
Normalente são times objetivos, de transições rápidas, que miram sempre o gol adversário, mesmo que em poucos toques na bola. Um dos motivos que fez o Vélez Sarsfield ser campeão em 2024 foi o fato de ser um time que sabia valorizar o resultado. Por formar defesas sólidas, muitas vezes quando estava vencendo, Quinteros não tinha medo de recuar. – (Quinteros) Também era muito inteligente, que quando estava ganhando de 1 a 0, buscava acabar com a partida. Tirava um centroavante e colocava um defensor. É um técnico conservador neste sentido, que não se abria muitas vezes – explica Mirarchi.
Nesta temporada, os embates entre Renato e imprensa foram marcantes. Ainda no Campeonato Gaúcho, o técnico vetou a entrada de jornalistas no CT Luiz Carvalho e não realizou mais treinos abertos. Nas entrevistas pós-jogo, protagonizou alguns debates acalorados. Problemas que Quinteros não costuma ter. Apesar do jeito enérgico na beira do campo, mostra ser uma pessoa de fácil convivência no dia a dia, tanto no clube como com os profissionais da imprensa. – Um técnico de perfil tranquilo, que não tem problema para dar entrevistas, bastante sóbrio nesse sentido. É um bom treinador. Ele pretendia que o Vélez se reforçasse para brigar pela Copa Libertadores, mas não tinha essa possibilidade – completa o jornalista.
O analista Leonardo Miranda ressalta o histórico de Quinteros nos campeonatos de pontos corridos. Todos os principais títulos conquistados vieram com esta fórmula, a partir de uma escalação titular bem definida. Levantou troféus assim com Blooming, Bolívar, Oriente Petrolero (Bolívia); Emelec (Equador); Universidad Católica, Colo Colo (Chile) e Vélez Sarsfield (Argentina). Nestes casos, além das seleções boliviana e equatoriana, evidencia a flexibilidade para assumir trabalhos em diferentes contextos de nível futebolístico, folha salarial e cultura. – (Quinteros) Não é aquele treinador que vai mudando jogador, mudando esquema tático. Normalmente faz isso muito bem em ligas nacionais, campeonatos mais longos e não tão bem em copas, em jogos que o time precisa ser um pouquinho mais copeiro. Por isso não tem histórico bom em Sul-Americana, Libertadores – pontua Miranda. Gustavo Quinteros ainda não tem data confirmada para se apresentar em Porto Alegre. Estará acompanhado de três auxiliares (Leandro Desábato, Maximiliano Quezada e Rodrigo Quinteros) e do preparador físico Hugo Roldán.
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