Meia canhoto, Jean Carlos soma 13 gols e 12 assistências na temporada 2021
Tiago Caldas / CNC,Divulgação
Entra ano, sai ano, e o Grêmio segue em busca de um armador. Desde a saída de Douglas, o clube experimenta peças e vai ao mercado em busca de um "maestro", o jogador que ditará o ritmo da equipe. Mas, até agora, foram muitas as tentativas e pouco acerto. A bola da vez é Jean Carlos, 29 anos, camisa 10 do Náutico e um dos destaques da Série B deste ano.
— Recebemos uma consulta do Grêmio, mas nada oficial. Tem a possibilidade (de sair negócio) se o Grêmio enviar a proposta — disse Deividson Andrews, empresário do jogador, à reportagem de GZH.
O Grêmio nega que tenha feito contato pelo atleta, mas confirma a busca por um armador. Em entrevista ao Grupo RBS, na sexta-feira (17), o vice-presidente de futebol do clube, Dênis Abrahão, afirmou que o clube precisa de um meia para a próxima
— Busco um jogador que pare a bola, que pense o jogo, que dê o timing e tenha a expertise do momento — afirmou.
Questionado se este jogador teria um "estilo Douglas", o dirigente concordou:
— É um bom exemplo. Só que o Douglas já parou, infelizmente. Senão, eu buscaria o Douglas.
No entendimento da direção gremista, Campaz não é um armador, mas sim um meia-atacante. Jean Pyerre não conseguiu se firmar e deverá ser negociado. Por isso, na avaliação interna do clube, há uma carência no time nesta função, de um jogador que chegue e assuma a camisa 10.
Ao longo dos últimos anos, o Grêmio tentou Luan, Bolaños, Jean Pyerre, Thaciano, Isaque, Pinares, além de diversos jogadores improvisados na função, como Cícero, Maicon, Darlan, até Alisson e Douglas Costa nesta temporada. Mas a referência segue sendo Douglas, o "Doga10", como ficou conhecido o titular da função na conquista da Copa do Brasil de 2016.
— Acho o Jean Carlos estilo Douglas, sim. Também é canhoto, tem técnica, mas talvez com um pouco mais de mobilidade — destaca o repórter Paulo de Tarso, da Rádio Transamérica de Recife.
O jornalista acrescenta:
— É um jogador que chegou em 2019 ao Náutico após um Paulistão discreto pelo Mirassol. Aqui foi se desenvolvendo e crescendo muito. Ele cobra escanteios, finaliza de média e longa distância, faz gols e é o garçom do time. O Jean viveu algumas fases difíceis na carreira, teve problemas extracampo. Mas hoje é um cara com a cabeça boa, focado, super profissional.
A única experiência de Jean Carlos em um clube grande de maior peso foi em 2016, quando foi emprestado ao São Paulo pelo São Bernardo. A passagem, porém, durou apenas três meses e o jogador não deixou boa impressão por lá.
— Ele chegou ao São Paulo naquelas janelas domésticas, com o time lutando contra o rebaixamento. Canhoto, armador, veio como uma alternativa ao Cueva, que era convocado direto para a seleção peruana. Mas, quando teve a oportunidade de jogar, errou tudo. Pareceu sentir o peso da pressão do time grande ameaçado e sucumbiu. Depois, acabou sendo devolvido sem deixar saudade — recorda Arnaldo Ribeiro, colunista do portal UOL.
Pelo Náutico, contudo, Jean Carlos tem sido decisivo. Na Série B deste ano, foi o segundo jogador com mais participações diretas em gols — 20 no total, atrás apenas de Rafael Navarro, do campeão Botafogo. Com 11 bolas na rede e nove assistências, foi o principal nome do time pernambucano, que terminou a competição em oitavo. Ele já havia sido protagonista da equipe na conquista do Estadual, no início do ano, e também na disputa da Segunda Divisão nacional na temporada passada.
— Jean Carlos é um meia armador moderno, não tão clássico, porque ele pisa muito na área, finaliza bem. Pelas últimas temporadas dele, para mim, é nível de Série A. Foi absoluto, um jogador fundamental para o Náutico. Tem uma bola parada absurda. Escanteio, falta, até pênalti, ele bate muito bem na bola — elogia o jornalista Gabriel Neukranz, da Folha de Pernambuco.
O jogador também recebeu sondagens do mundo árabe. Recentemente, o Náutico recusou uma proposta do Esteghlal, clube do Irã, para levar Jean Carlos por cerca de R$ 1,5 milhões. De acordo com o empresário do atleta, ele teria interesse em jogar no Grêmio. Pessoas próximas ao meio-campista também ressaltam a vontade de seguir no Brasil, mas é preciso que a proposta agrade também ao clube pernambucano.
Em contato com GZH, dirigentes do Náutico afirmaram que nenhuma proposta oficial pelo jogador chegou ao clube nos últimos dias, mas que é possível que haja negócio caso uma boa oferta apareça. Jean Carlos renovou o contrato com o Timbu até 2024, com multa de 3 milhões de euros (cerca de R$ 19 milhões), mas a necessidade financeira pode fazer com que negocie a venda do atleta por bem menos.
E aí pode entrar o Grêmio. A cúpula tricolor projeta contratar pelo menos sete jogadores nesta janela de transferências — e anunciar ao menos três antes da virada do ano. A reapresentação do elenco e o início da pré-temporada estão marcados para 10 de janeiro. Quem sabe no próximo dia 10, o clube já tenha um novo camisa 10.
Números de Jean Carlos
Na temporada
45 jogos
3.740 minutos em campo
13 gols
12 assistências
150 minutos para participar de um gol
Na Série B
5º em gols (11)
4º em assistências (9)
2º em participações diretas em gols (20)
2º em grandes chances criadas (11)
2º em passes decisivos por jogo (3,3 por partida)
2º em passes para finalização (89)
1º em finalizações por jogo (3,7 por partida)
2º em finalizações certas (55)
1º em cruzamentos certos (85)
Hélio dos Anjos, técnico de Jean Carlos no Náutico:
O que o senhor pode nos dizer sobre as características e como joga o Jean Carlos?
Nas últimas duas temporadas, sob a minha responsabilidade, ele demonstrou uma técnica acima da média. Mas, mais do que isso, ele se tornou um meia muito competitivo. Os números físicos dele são impressionantes. É um jogador que percorre entre 11 e 13 quilômetros por jogo, participa muito do jogo, não se esconde. Falo isso porque a parte técnica é fácil de observar. Ele tem uma batida na bola impressionante, tanto nas frontais quanto nas laterais. Mas é um meia muito moderno, que sabe jogar com linhas altas, marcando na pressão. É super atuante da marcação. Além de muito técnico, é um meia competitivo também. Está no seu ápice.
As referências são positivas, mas chama atenção que ele tenha 29 anos e ainda não tivesse aparecido com destaque, mesmo tendo passagens por clube grande como o São Paulo. Por que ele demorou a se destacar?
Ele se completou muito nas últimas temporadas. Ele sempre teve um bom lastro físico, mas nunca usou muito isso para crescer tecnicamente. As pessoas falam que é muito rodado, que não tinha dado certo. Mas ele amadureceu muito, e são vários os jogadores que amadurecem com o tempo, mais tarde. Ele tomou muita porrada na vida, mas tem um bom nível cultural, é bem casado, um cara super tranquilo. Encontrei com o Jean no Goiás, em 2017, e ele estava fora do grupo. Tentei fazer retornar, mas a reação dele não foi positiva. Quando cheguei ao Náutico, ele também estava com problemas. Ele admitiu que, no Goiás, o problema foi ele mesmo. Só de falar isso, senti que ele amadureceu. E, desde então, só respondeu positivamente. Foi muito importante para nós no ano passado, no título pernambucano também, desequilibrou tecnicamente. E fez uma Série B excepcional.
O que dá para esperar do futuro dele, alguma chance de ficar no Náutico?
Acredito que até a reapresentação do time (3 de janeiro), ele ainda esteja conosco. Mas ficamos sabendo dessa possibilidade do Grêmio, e tem o mundo árabe também. Trabalhei por lá e as pessoas me procuram para saber mais a respeito dele. Está sendo muito observado por lá. Mas é um jogador muito lúcido. Penso que, se tiver alguma coisa de um clube maior aqui do Brasil, ele vai aproveitar.
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Tiago Caldas / CNC,Divulgação
Entra ano, sai ano, e o Grêmio segue em busca de um armador. Desde a saída de Douglas, o clube experimenta peças e vai ao mercado em busca de um "maestro", o jogador que ditará o ritmo da equipe. Mas, até agora, foram muitas as tentativas e pouco acerto. A bola da vez é Jean Carlos, 29 anos, camisa 10 do Náutico e um dos destaques da Série B deste ano.
— Recebemos uma consulta do Grêmio, mas nada oficial. Tem a possibilidade (de sair negócio) se o Grêmio enviar a proposta — disse Deividson Andrews, empresário do jogador, à reportagem de GZH.
O Grêmio nega que tenha feito contato pelo atleta, mas confirma a busca por um armador. Em entrevista ao Grupo RBS, na sexta-feira (17), o vice-presidente de futebol do clube, Dênis Abrahão, afirmou que o clube precisa de um meia para a próxima
— Busco um jogador que pare a bola, que pense o jogo, que dê o timing e tenha a expertise do momento — afirmou.
Questionado se este jogador teria um "estilo Douglas", o dirigente concordou:
— É um bom exemplo. Só que o Douglas já parou, infelizmente. Senão, eu buscaria o Douglas.
No entendimento da direção gremista, Campaz não é um armador, mas sim um meia-atacante. Jean Pyerre não conseguiu se firmar e deverá ser negociado. Por isso, na avaliação interna do clube, há uma carência no time nesta função, de um jogador que chegue e assuma a camisa 10.
Ao longo dos últimos anos, o Grêmio tentou Luan, Bolaños, Jean Pyerre, Thaciano, Isaque, Pinares, além de diversos jogadores improvisados na função, como Cícero, Maicon, Darlan, até Alisson e Douglas Costa nesta temporada. Mas a referência segue sendo Douglas, o "Doga10", como ficou conhecido o titular da função na conquista da Copa do Brasil de 2016.
— Acho o Jean Carlos estilo Douglas, sim. Também é canhoto, tem técnica, mas talvez com um pouco mais de mobilidade — destaca o repórter Paulo de Tarso, da Rádio Transamérica de Recife.
O jornalista acrescenta:
— É um jogador que chegou em 2019 ao Náutico após um Paulistão discreto pelo Mirassol. Aqui foi se desenvolvendo e crescendo muito. Ele cobra escanteios, finaliza de média e longa distância, faz gols e é o garçom do time. O Jean viveu algumas fases difíceis na carreira, teve problemas extracampo. Mas hoje é um cara com a cabeça boa, focado, super profissional.
A única experiência de Jean Carlos em um clube grande de maior peso foi em 2016, quando foi emprestado ao São Paulo pelo São Bernardo. A passagem, porém, durou apenas três meses e o jogador não deixou boa impressão por lá.
— Ele chegou ao São Paulo naquelas janelas domésticas, com o time lutando contra o rebaixamento. Canhoto, armador, veio como uma alternativa ao Cueva, que era convocado direto para a seleção peruana. Mas, quando teve a oportunidade de jogar, errou tudo. Pareceu sentir o peso da pressão do time grande ameaçado e sucumbiu. Depois, acabou sendo devolvido sem deixar saudade — recorda Arnaldo Ribeiro, colunista do portal UOL.
Pelo Náutico, contudo, Jean Carlos tem sido decisivo. Na Série B deste ano, foi o segundo jogador com mais participações diretas em gols — 20 no total, atrás apenas de Rafael Navarro, do campeão Botafogo. Com 11 bolas na rede e nove assistências, foi o principal nome do time pernambucano, que terminou a competição em oitavo. Ele já havia sido protagonista da equipe na conquista do Estadual, no início do ano, e também na disputa da Segunda Divisão nacional na temporada passada.
— Jean Carlos é um meia armador moderno, não tão clássico, porque ele pisa muito na área, finaliza bem. Pelas últimas temporadas dele, para mim, é nível de Série A. Foi absoluto, um jogador fundamental para o Náutico. Tem uma bola parada absurda. Escanteio, falta, até pênalti, ele bate muito bem na bola — elogia o jornalista Gabriel Neukranz, da Folha de Pernambuco.
O jogador também recebeu sondagens do mundo árabe. Recentemente, o Náutico recusou uma proposta do Esteghlal, clube do Irã, para levar Jean Carlos por cerca de R$ 1,5 milhões. De acordo com o empresário do atleta, ele teria interesse em jogar no Grêmio. Pessoas próximas ao meio-campista também ressaltam a vontade de seguir no Brasil, mas é preciso que a proposta agrade também ao clube pernambucano.
Em contato com GZH, dirigentes do Náutico afirmaram que nenhuma proposta oficial pelo jogador chegou ao clube nos últimos dias, mas que é possível que haja negócio caso uma boa oferta apareça. Jean Carlos renovou o contrato com o Timbu até 2024, com multa de 3 milhões de euros (cerca de R$ 19 milhões), mas a necessidade financeira pode fazer com que negocie a venda do atleta por bem menos.
E aí pode entrar o Grêmio. A cúpula tricolor projeta contratar pelo menos sete jogadores nesta janela de transferências — e anunciar ao menos três antes da virada do ano. A reapresentação do elenco e o início da pré-temporada estão marcados para 10 de janeiro. Quem sabe no próximo dia 10, o clube já tenha um novo camisa 10.
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Na temporada
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13 gols
12 assistências
150 minutos para participar de um gol
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2º em grandes chances criadas (11)
2º em passes decisivos por jogo (3,3 por partida)
2º em passes para finalização (89)
1º em finalizações por jogo (3,7 por partida)
2º em finalizações certas (55)
1º em cruzamentos certos (85)
Hélio dos Anjos, técnico de Jean Carlos no Náutico:
O que o senhor pode nos dizer sobre as características e como joga o Jean Carlos?
Nas últimas duas temporadas, sob a minha responsabilidade, ele demonstrou uma técnica acima da média. Mas, mais do que isso, ele se tornou um meia muito competitivo. Os números físicos dele são impressionantes. É um jogador que percorre entre 11 e 13 quilômetros por jogo, participa muito do jogo, não se esconde. Falo isso porque a parte técnica é fácil de observar. Ele tem uma batida na bola impressionante, tanto nas frontais quanto nas laterais. Mas é um meia muito moderno, que sabe jogar com linhas altas, marcando na pressão. É super atuante da marcação. Além de muito técnico, é um meia competitivo também. Está no seu ápice.
As referências são positivas, mas chama atenção que ele tenha 29 anos e ainda não tivesse aparecido com destaque, mesmo tendo passagens por clube grande como o São Paulo. Por que ele demorou a se destacar?
Ele se completou muito nas últimas temporadas. Ele sempre teve um bom lastro físico, mas nunca usou muito isso para crescer tecnicamente. As pessoas falam que é muito rodado, que não tinha dado certo. Mas ele amadureceu muito, e são vários os jogadores que amadurecem com o tempo, mais tarde. Ele tomou muita porrada na vida, mas tem um bom nível cultural, é bem casado, um cara super tranquilo. Encontrei com o Jean no Goiás, em 2017, e ele estava fora do grupo. Tentei fazer retornar, mas a reação dele não foi positiva. Quando cheguei ao Náutico, ele também estava com problemas. Ele admitiu que, no Goiás, o problema foi ele mesmo. Só de falar isso, senti que ele amadureceu. E, desde então, só respondeu positivamente. Foi muito importante para nós no ano passado, no título pernambucano também, desequilibrou tecnicamente. E fez uma Série B excepcional.
O que dá para esperar do futuro dele, alguma chance de ficar no Náutico?
Acredito que até a reapresentação do time (3 de janeiro), ele ainda esteja conosco. Mas ficamos sabendo dessa possibilidade do Grêmio, e tem o mundo árabe também. Trabalhei por lá e as pessoas me procuram para saber mais a respeito dele. Está sendo muito observado por lá. Mas é um jogador muito lúcido. Penso que, se tiver alguma coisa de um clube maior aqui do Brasil, ele vai aproveitar.
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