Félix Zucco / Agencia RBS
O passe de Jean Pyerre pareceu calculado com uma fita métrica, mas o chute de Villasanti parou na defesa de Fernando Miguel. Do outro lado, o lançamento de Eder saiu errado, forte demais, só que Vanderson deu espaço, e Igor Cariús apareceu para botar a bola no gol. Aos 43 minutos de partida, o que era uma das melhores atuações do Grêmio na temporada se transformou em mais um filme de terror dentro do Brasileirão.
Os lances citados acima envolvem falhas técnicas, é claro, mas o que se viu a partir deles evidenciou outro problema gremista: a parte psicológica. Em desvantagem no placar, o time voltou mal do intervalo após ter dominado o primeiro tempo. Errava passes, perdia divididas e dava mais espaços às investidas do Atlético-GO. Depois da derrota por 2 a 0, Vagner Mancini admitiu que os atletas estão ansiosos e que a nova comissão técnica tenta levar tranquilidade ao grupo.
Especialista em psicologia esportiva e professor do curso de Psicologia da PUCRS, Lucas Rosito explica que a confiança não é um indicador estável. Ou seja, uma equipe não é confiante, mas está confiante. Para ele, o tempo em que o clube ocupa a zona de rebaixamento e as mudanças sem resultados tentadas pela direção, como troca de treinadores, dirigentes e até jogadores, ajudam a criar o sentimento de insegurança.
"A gente entra em uma sensação de desamparo, de que não tem mais o que pode ser feito. A partir daí, podemos entender como um grupo é vulnerável a um revés, uma vez que tem um problema típico de jogo, que é sofrer o gol, e entra no estado de desesperança, de descrença. A repercussão de sair perdendo acaba sendo muito maior", analisa.
Externamente, o discurso adotado por Mancini e Dênis Abrahão, vice-presidente de futebol, foi de fé no trabalho. Ambos falaram da melhora apresentada pelo time nos primeiros 45 minutos em Goiânia e defenderam que, com tempo, os erros que levaram a mais um tropeço serão corrigidos. O treinador, inclusive, disse não ter dúvidas de que o Tricolor permanecerá na Série A.
"Se tiver que derramar sangue azul, a gente vai derramar", apostou.
Maurício Pinto Marques, psicólogo especializado na área esportiva, com passagens por clubes como Aimoré e Coritiba, acredita que a postura adotada pelo Grêmio nos microfones é a correta para proteger o vestiário e evitar que o emocional dos atletas seja ainda mais prejudicado nesta reta final de campeonato.
"O principal é que se consiga blindar o discurso da comissão técnica para que se valorize o que foi positivo, a evolução que se teve em termos de volume de jogo. Para que se possa aumentar a confiança coletiva e individual dos jogadores", defende:
"Que tenham esse discurso fechado como equipe, que encontrem a confiança no próprio companheiro, no dirigente, no membro da comissão que estiver ao lado. Reforçar que os acertos sejam mais valorizados dos que os erros. Assim, a tendência é de que a tomada de decisão seja melhor também durante a partida", completa.
O ex-centroavante Christian sabe bem o que é estar com o Grêmio na zona de rebaixamento e dar a volta por cima na reta final. Em 2003, o grupo conquistou 13 dos últimos 15 pontos disputados e conseguiu uma permanência improvável na elite nacional. O antigo camisa 9 foi peça importante naquela arrancada, com cinco gols nas 11 rodadas finais – um deles em uma vitória sobre o Inter, no Beira-Rio, apontada por muitos como o ponto de virada na campanha gremista.
"Aquele grupo tinha qualidade para dar a resposta, que veio com o comprometimento de todos. A gente conseguiu criar uma sinergia entre torcida e time, então os aspectos psicológicos casaram com a qualidade individual de cada um. Eu vi um pouco disso no Grêmio contra o Juventude, e contra o Atlético-GO o time não foi mal, mas precisa de equilíbrio", comenta ele.
O apoio da torcida, aliás, é apontado como parte fundamental pelos especialistas. Rosito defende que o comportamento do torcedor ajuda a criar uma ideia de mobilização coletiva e pode mostrar ao time que, se em campo as coisas não funcionam como esperado, fora dele ainda há no que se apegar. A recuperação plena, no entanto, dependerá do que os jogadores conquistarem nas partidas que ainda restam.
"O desejável é que a gente vá criando uma casca que seja suficiente para estabelecer a confiança. Só que o Grêmio, toda vez que começa a ter essa casquinha, ela rompe. Isso só se mantém se vier o resultado, objetivamente falando, já que o extracampo está sendo feito. É preciso ter alguns resultados em sequência para que a confiança seja internalizada pelos atletas", explica.
O pensamento é corroborado por Christian.
"Toda conversa e mobilização são importantes, mas chega um determinado momento em que o time tem que resolver dentro de campo. O clima favorável ajuda, mas são os jogadores que vão entrar e decidir", opina o ex-centroavante.
Domingo, contra o Palmeiras, o Grêmio terá mais uma chance de recuperação na tabela. A direção repetiu a promoção de ingressos que fez sucesso contra o Juventude, e a torcida deve novamente estar presente em bom número na Arena. O discurso de confiança também faz parte do dia a dia no CT Luiz Carvalho antes do confronto decisivo. Resta esperar pela resposta da equipe. O tempo para o Tricolor criar a desejada casca e recuperar a confiança está se esgotando.
#gremio #imortal #tricolor #brasileirao #psicologico
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Os lances citados acima envolvem falhas técnicas, é claro, mas o que se viu a partir deles evidenciou outro problema gremista: a parte psicológica. Em desvantagem no placar, o time voltou mal do intervalo após ter dominado o primeiro tempo. Errava passes, perdia divididas e dava mais espaços às investidas do Atlético-GO. Depois da derrota por 2 a 0, Vagner Mancini admitiu que os atletas estão ansiosos e que a nova comissão técnica tenta levar tranquilidade ao grupo.
Especialista em psicologia esportiva e professor do curso de Psicologia da PUCRS, Lucas Rosito explica que a confiança não é um indicador estável. Ou seja, uma equipe não é confiante, mas está confiante. Para ele, o tempo em que o clube ocupa a zona de rebaixamento e as mudanças sem resultados tentadas pela direção, como troca de treinadores, dirigentes e até jogadores, ajudam a criar o sentimento de insegurança.
"A gente entra em uma sensação de desamparo, de que não tem mais o que pode ser feito. A partir daí, podemos entender como um grupo é vulnerável a um revés, uma vez que tem um problema típico de jogo, que é sofrer o gol, e entra no estado de desesperança, de descrença. A repercussão de sair perdendo acaba sendo muito maior", analisa.
Externamente, o discurso adotado por Mancini e Dênis Abrahão, vice-presidente de futebol, foi de fé no trabalho. Ambos falaram da melhora apresentada pelo time nos primeiros 45 minutos em Goiânia e defenderam que, com tempo, os erros que levaram a mais um tropeço serão corrigidos. O treinador, inclusive, disse não ter dúvidas de que o Tricolor permanecerá na Série A.
"Se tiver que derramar sangue azul, a gente vai derramar", apostou.
Maurício Pinto Marques, psicólogo especializado na área esportiva, com passagens por clubes como Aimoré e Coritiba, acredita que a postura adotada pelo Grêmio nos microfones é a correta para proteger o vestiário e evitar que o emocional dos atletas seja ainda mais prejudicado nesta reta final de campeonato.
"O principal é que se consiga blindar o discurso da comissão técnica para que se valorize o que foi positivo, a evolução que se teve em termos de volume de jogo. Para que se possa aumentar a confiança coletiva e individual dos jogadores", defende:
"Que tenham esse discurso fechado como equipe, que encontrem a confiança no próprio companheiro, no dirigente, no membro da comissão que estiver ao lado. Reforçar que os acertos sejam mais valorizados dos que os erros. Assim, a tendência é de que a tomada de decisão seja melhor também durante a partida", completa.
O ex-centroavante Christian sabe bem o que é estar com o Grêmio na zona de rebaixamento e dar a volta por cima na reta final. Em 2003, o grupo conquistou 13 dos últimos 15 pontos disputados e conseguiu uma permanência improvável na elite nacional. O antigo camisa 9 foi peça importante naquela arrancada, com cinco gols nas 11 rodadas finais – um deles em uma vitória sobre o Inter, no Beira-Rio, apontada por muitos como o ponto de virada na campanha gremista.
"Aquele grupo tinha qualidade para dar a resposta, que veio com o comprometimento de todos. A gente conseguiu criar uma sinergia entre torcida e time, então os aspectos psicológicos casaram com a qualidade individual de cada um. Eu vi um pouco disso no Grêmio contra o Juventude, e contra o Atlético-GO o time não foi mal, mas precisa de equilíbrio", comenta ele.
O apoio da torcida, aliás, é apontado como parte fundamental pelos especialistas. Rosito defende que o comportamento do torcedor ajuda a criar uma ideia de mobilização coletiva e pode mostrar ao time que, se em campo as coisas não funcionam como esperado, fora dele ainda há no que se apegar. A recuperação plena, no entanto, dependerá do que os jogadores conquistarem nas partidas que ainda restam.
"O desejável é que a gente vá criando uma casca que seja suficiente para estabelecer a confiança. Só que o Grêmio, toda vez que começa a ter essa casquinha, ela rompe. Isso só se mantém se vier o resultado, objetivamente falando, já que o extracampo está sendo feito. É preciso ter alguns resultados em sequência para que a confiança seja internalizada pelos atletas", explica.
O pensamento é corroborado por Christian.
"Toda conversa e mobilização são importantes, mas chega um determinado momento em que o time tem que resolver dentro de campo. O clima favorável ajuda, mas são os jogadores que vão entrar e decidir", opina o ex-centroavante.
Domingo, contra o Palmeiras, o Grêmio terá mais uma chance de recuperação na tabela. A direção repetiu a promoção de ingressos que fez sucesso contra o Juventude, e a torcida deve novamente estar presente em bom número na Arena. O discurso de confiança também faz parte do dia a dia no CT Luiz Carvalho antes do confronto decisivo. Resta esperar pela resposta da equipe. O tempo para o Tricolor criar a desejada casca e recuperar a confiança está se esgotando.
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