O Grêmio transformou uma atuação bastante razoável, especialmente se pesado o atual momento, em uma derrota por 2 a 0 que deixa ares de rebaixamento após a 28ª rodada do Brasileirão. O time desmoronou completamente após o primeiro gol sofrido para o Atlético-GO, na noite de segunda-feira, e foi soterrado pelo próprio desequilíbrio emocional.
Dos adversários diretos para evitar a Série B, apenas o Bahia venceu na rodada em confronto com a lanterna Chapecoense. É alento e frustração ao mesmo tempo. Ninguém disparou, mas o Tricolor poderia ter pulado para fora do Z-4. Pela sexta vez, falhou. Permanece na 19ª colocação, com 26 pontos.
Também significa que a montanha russa seguirá nesse balanço até o final do campeonato. Isso que o duelo de segunda era o jogo contra o rival pior colocado na sequência que se avizinha. Agora, serão três equipes do G-6 pela frente.
O título cita "do lateral ao técnico" não para poupar Brenno, até porque o goleiro divide parcela de culpa no primeiro gol sofrido. Mas porque Vanderson tinha a jogada ganha e acabou superado por Igor Cariús. E isso acabou com o Grêmio no jogo.
"Isso eu senti. A partir do momento que tomamos o gol, tivemos uma sequência de erros. E erros por desatenção, de passe, que na primeira etapa a gente não cometeu. A gente bobeou no lance do gol, começou o segundo tempo errando demais, com jogadores que normalmente a gente não vê fazendo esse tipo de coisa. Óbvio que o emocional está diretamente ligado a tudo isso", admitiu o técnico Vagner Mancini.
O lance ocorreu aos 43 minutos do primeiro tempo. Até ali, eram 10 finalizações do Grêmio contra uma do Dragão. O time gaúcho se impunha com toque de bola e articulação, ainda que deixasse espaços e estivesse por vezes exposto na defesa.
O gol sofrido trouxe um desabamento conjunto. O início do segundo tempo veio na mesma toada, com um time tão desorientado quanto o ucraniano que levou o cruzado do brasileiro Hebert Conceição na final do boxe na Olimpíada de Tóquio.
"Não adianta acelerar. Vamos manter o emocional equilibrado, todos os jogadores precisam da gente para que entrem em campo e possam realizar. O time não é ruim, o time é muito bom. Faltam algumas coisas? Faltam. Entre elas, talvez, a tomada de decisão, o gesto técnico para fazer o 1 a 0. Faltam muitos jogos, mas a gente sabe a situação real - completou o técnico".
Aí entra o segundo citado no título - e ambos estão ali apenas para exemplificar o coletivo. Aliás, o espaço se resume às escolhas do técnico. Porque na postura e na entrevista ele mostrou a serenidade de quem aparenta saber atacar os problemas.
Vagner Mancini mexeu em Douglas Costa e Jean Pyerre para colocar Borja e Ferreira. Deixou dois centroavantes em campo e tentou forçar o jogo pelos lados, uma estratégia clara, mas que facilitou a vida do Dragão. Alisson, que não fazia bom jogo, também ficou em campo.
É bom dizer que os dois jogadores sacados funcionaram no primeiro tempo, embora na etapa final não estivessem tão bem. Mas possuem qualidade técnica.
Se a ideia era usar a bola aérea, ambos poderiam ajudar. Jean Pyerre, por exemplo, cruzou a bola no primeiro gol do Grêmio na vitória por 3 a 2 sobre o Juventude, marcado por Douglas Costa.
A tentativa era válida, mas a ideia de Mancini na prática não funcionou. E a partir dessas substituições o Grêmio já era um time entregue. Mesmo antes da pá de cal colocada pelo Atlético-GO. Paulo Miranda puxou a camisa de André Luís na área e cometeu um pênalti de concurso. De quebra, ainda foi expulso.
O Grêmio construiu um pequeno forte de areia em Goiânia, mas a onda veio para desabar tudo. Mostrou toda a dificuldade psicológica na qual está inserido - e que foi reconhecida por Mancini.
Também apresentou um pouco de futebol bem jogado. Mas que não vale nada, porque há pouco tempo para processos e sobra dificuldade.
O próximo capítulo dessa luta árdua será contra o Palmeiras, no domingo, na Arena. Com a torcida, mas sem cinco jogadores, todos suspensos. O zagueiro Pedro Geromel deve estar de volta.
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